Nesta quarta-feira (4), no campus do IFCE de Quixadá, foram definidas as vazões de liberação de água dos açudes Castanhão, Orós e Banabuiú para o primeiro semestre de 2026. O encontro contou com a participação de cerca de 160 pessoas pessoas, entre representantes de Comitês de Bacias Hidrográficas, órgãos técnicos e a sociedade civil.

A operação dos reservatórios do primeiro semestre ocorre em caráter provisório durante a quadra chuvosa, para atender demandas cuja estação chuvosa não alcançou entre fevereiro e junho. Após esse período, acontecerá a Reunião de Alocação Negociada de Água dos reservatórios monitorados pela Companhia.

Participaram do evento os Comitês de Bacia Hidrográfica do Baixo, Médio e Alto Jaguaribe, Banabuiú, Salgado e da Região Metropolitana de Fortaleza, além de técnicos da Cogerh, da Funceme, prefeituras locais e organizações da sociedade civil.

Gestão Participativa com a Sociedade

O processo integra o modelo de gestão participativa da Cogerh, que assegura a tomada de decisões de forma compartilhada entre poder público, usuários de água e sociedade civil organizada, por meio dos Comitês de Bacias Hidrográficas.

O Diretor de Operações da Cogerh, Tércio Tavares, destacou que o cenário atual exige cautela diante das incertezas do prognóstico climático.

“Vivemos um momento desafiador. Vamos sair desta reunião com a melhor decisão possível sobre a transferência e o uso da água, confiando na gestão participativa”, afirmou.

O gerente de Outorga e Fiscalização da Cogerh, Marcílio Caetano, destacou a trajetória da Companhia na condução dos processos de alocação negociada. Segundo ele, a experiência acumulada ao longo de três décadas tem sido fundamental para construir soluções de forma conjunta com os usuários de água e os Comitês de Bacia Hidrográfica.

“Temos 30 anos de experiência na construção de acordos com vocês e na definição das alocações possíveis. Esse diálogo permanente é o que nos permite enfrentar momentos de incerteza, buscar equilíbrio entre os diferentes usos e tomar decisões responsáveis, sempre com base em critérios técnicos e na participação coletiva”, ressaltou.

Marcílio também enfatizou que o cenário atual exige cautela e corresponsabilidade de todos os envolvidos, reforçando que a gestão da água no Ceará é um processo compartilhado, que depende do comprometimento dos usuários, do poder público e da sociedade civil para garantir a segurança hídrica no presente e no futuro.

Veja as vazões definidas

Açude Castanhão: A vazão definida foi de 16 mil litros por segundo (L/s), sendo 6 mil l/s vindos do Orós e destinados à Fortaleza via CastanhãoEixão das Águas, com início em 23 de fevereiro. Em caso de boas chuvas registradas na RMF, a data poderá ser adiada.

Açude Orós: A vazão definida foi de 8 mil litros por segundo L/s, sendo 2 mil L/s para múltiplos usos em localidades nos municípios de Orós, Icó, Quixelô, Jaguaribe, Pereiro e Jaguaretama e 6 mil L/s para o Açude Castanhão para atender a região metropolitana de Fortaleza.

O 2º maior reservatório cearense está com 1,36 bilhão de m³, com 70,15% do volume total. O reservatório está com um volume de 108,4 milhões de metros cúbicos a mais em relação ao cenário simulado na Reunião de Alocação Negociada realizada em junho.

Açude Banabuiú: Vazão de 900 L/s, sendo 150 L/s para captação direta no reservatório, 35 L/s para perenização do rio ( 30L/s para Cagece Ibicuitinga e 5L/s para SISAR da Barra do Sitiá); 15 L/s para Sistemas de Abastecimento Rural; e 700L/s para demais usos.

Para a alocação de 2026, já foram consideradas as demandas dos municípios de Banabuiú, Jaguaretama, Solonópole e Milhã, cuja oferta de água será reforçada pelo projeto Malha d’Água – Banabuiú Sertão central.

As vazões foram decididas levando em consideração os volumes atuais dos açudes, as previsões climáticas e o acompanhamento da Cogerh, bem como o atendimento de demandas locais da população e de setores produtivos.

Transferência de água para Fortaleza

A transferência de água para a Região Metropolitana de Fortaleza também foi debatida durante a reunião, considerando o prognóstico climático divulgado pela Funceme, que aponta um cenário de incerteza para a quadra chuvosa, e a necessidade de garantir a segurança hídrica da capital.

Como reforço ao Sistema Hídrico Metropolitano, ficou definido que serão destinados 6 mil l/s para a Região Metropolitana de Fortaleza, via transferência do Orós, com início em 23 de fevereiro. Em caso de boas chuvas registradas na RMF, a data pode ser adiada.

A definição sobre a transferência é feita de forma integrada ao modelo de gestão participativa, com base em critérios técnicos e na decisão coletiva dos Comitês de Bacia Hidrográficas.

Prognóstico da quadra chuvosa

O diretor técnico da Fundação Cearense de Meteorologia e Recursos Hídricos (Funceme), Francisco Júnior, apresentou prognóstico climático para o período de fevereiro a abril no Ceará.

De acordo com o órgão, há 40% de chance de chuvas abaixo da média, 40% em torno da média e 20% acima da média histórica. Do ponto de vista espacial, há tendência de o centro-sul do Ceará apresentar condições mais secas em relação ao centro-norte no acumulado dos três meses.

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